Eletrofitness modalidade ganha espaço em todo o país

Modalidade de ginástica ganha espaço em todo o país
Eletrofitness combina, em uma sessão de 20 minutos, exercícios físicos com choque em todo o corpo

O desconforto dura quatro segundos e é parecido com uma miríade de formigas andando por toda a pele. O instrutor manda girar de um lado para o outro, agachar, levantar ou empurrar. Em seguida são quatro segundos sem tomar choque. O ciclo se repete mais 149 vezes.

A intensidade desses 20 minutos fica marcada nos músculos. A dor ou sensação de prática de exercícios que vem depois não é diferente daquela que todo mundo que já fez musculação conhece.

A eletroestimulação, o “choquinho” da fisioterapia, ganhou versão “fitness” com equipamentos que fazem mais de 300 músculos contraírem simultaneamente.

A modalidade é a mais nova aposta do setor no Brasil. Já conhecida na Europa, começou a se inserir no mercado fitness também em países como África do Sul, México e Colômbia. Para os empresários, o investimento é alto (os aparelhos custam até 200 mil reais). E as aulas podem variar de R$ 90 a R$ 145 por uma sessão de 20 minutos. (com Gabriel Alves/Folhapress)

“A modalidade foi criada em 2007 na Alemanha, mas só chegou ao Brasil há dois anos e agora que está vindo para o interior. Está ganhando grandes proporções devido a efetividade do método”, comenta Júlio Carlos Marchiori, educador físico do Studio Pulsar Eletrofitness.

Marchiori explica que a máquina de eletroestimulação muscular de corpo inteiro (EMS) trabalha três correntes: a metabólica, de fortalecimento e a de analgesia (relaxamento). “Vamos trabalhando as três de acordo com o treino do aluno.”

As correntes promovem “choques”, na verdade a contração involuntária do músculo. E é, justamente, a associação dessa contração com a voluntária provocado pelo exercício físico realizado pelo aluno que otimiza os resultados. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
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“Durante a sessão a pessoa irá sentir uma contração muscular, que pode ser relatada também por um formigamento, seguido de contração. No início as pessoas até podem se assustar, mas se acostumam já na primeira aula”, detalha o educador físico Alexandre Lima, da Estimullos.
Os benefícios gerados pelo estímulo são o aumento da força, redução da celulite e da flacidez, além de uma melhora do condicionamento físico geral. “Os treinos são montados de acordo com o objetivo da pessoa, seja perda de peso, aumento da massa ou fortalecimento e recuperação muscular”, explica Lima.

O educador físico afirma que, embora sejam apenas 20 minutos, envolve um trabalho do corpo todo. E a EMS se diferencia dos treinos convencionais em academias por unir os resultados gerados pela musculação e pelo funcional em uma sessão. “Se recebe uma carga de estímulo muscular muito grande gerada pelo colete, neste momento a musculatura se contrai muito mais do que em uma sessão de treino convencional”, detalha Lima.

Redução da celulite

Um dos primeiros brasileiros a aplicar a técnica, o personal trainer Rodrigo Sangion, dono do Les Cinq Gym, em São Paulo, diz que os resultados são “incríveis” e que 90% dos clientes acabam renovando os planos. Segundo ele, cerca de metade dos alunos nunca tiveram uma prática regular de exercícios. “Hoje tenho uma fila de espera de 50 pessoas para começar a treinar.” Segundo o personal trainer, a modalidade ainda pode ajudar na redução da celulite, com um preço competitivo. “Tratamentos estéticos custam entre R$ 2 mil e R$ 3 mil. A relação custo-benefício fica bem melhor com a eletroestimulação”, afirma. Treinos curtos, mas com resultados efetivos “As pessoas sempre reclamam que não têm tempo para fazer musculação, de ficar mais de uma hora na academia. Essa é uma ótima opção”, afirma Fernando Oliveira, sócio-diretor da Bodypulse, estúdio de eletroestimulação que há dois meses iniciou as atividades no Rio.

A publicitária Bianca Cantadeiro Lescho faz eletrofitness há três meses, modalidade que descobriu através do seu pai, que já praticava. Antes, ela fazia musculação, mas afirma que academia nunca foi seu forte. “Descobri o exercício dos meus sonhos. Treino apenas 20 minutos uma vez por semana e já sinto as mudanças no meu corpo. Comecei para emagrecer e me exercitar, gosto de corpo tonificado e musculatura delineada, mas sem hipertrofia”, revela.

Bianca relata que no dia seguinte à sessão sente os efeitos da prática, como se tivesse feito uma aula convencional. “O treino é curto e os resultados efetivos. Agora a eletroestimulação é minha única modalidade esportiva”, diz. “Hoje a família inteira pratica, até meu marido que procurou para ganhar fortalecimento da lombar, devido às dores que sente na coluna”, acrescenta.

Da prática fitness à redução da atrofia muscular

Assim como Bianca, pessoas que querem se exercitar ou deixar o sedentarismo e não têm tempo de frequentar academia, ou não apreciam modalidades convencionais, buscam o eletrofitness. Já os atletas de alto rendimento praticam para potencializar os resultados, em paralelo à musculação ou à sua atividade esportiva. Mas há alunos com um perfil patológico. “Pessoas que buscam porque têm alguma lesão, problemas de articulação, hérnia de disco, e não poderiam fazer musculação convencional. E ganham fortalecimento com a ESM. Tenho desde alunos idosos que querem melhorar a perda muscular aos que desejam reduzir medidas, devido à alta perda calórica por conta do número de músculos recrutados”, explica Marchiori. O educador físico destaca que até em alguns hospitais o método está sendo usado em paciente nas sessões de fisioterapia para impedir a atrofia muscular. “A ESM pode ser usada por qualquer pessoa, desde que seja liberado pelo médico e siga os limites de cada um”, afirma. Associação de atividades

Para o professor da Escola de Educação Física e Esporte da USP Júlio Serrão, a modalidade não é tão diferente de treinos mais intensos. “As pessoas procuram uma espécie de Santo Graal, mas esse tipo de treino não consegue substituir todo tipo de atividade que temos ao nosso dispor”, afirma. Alguns estudos científicos apontam que os resultados como ganho de força e massa muscular são mais pronunciados quando a eletroestimulação é praticada concomitantemente a outras atividades, como corrida ou musculação.

Créditos:

 

 

 

Valeska Mateus | ACidadeON/Ribeirao

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