Apple Watch é ótimo personal trainer

Apple Watch é ótimo personal trainer, mas software desaponta; G1 testou

Smartwatch impressiona pela precisão dos dados de exercício.
Vídeo mostra avaliação do produto, que começa a ser vendido nesta sexta

Seis meses depois de o início das vendas nos EUA, o Apple Watch começa a ser vendido nessa sexta-feira (16) no Brasil em suas três versões, com preços a partir de R$ 2.900 no modelo mais básico até impressionantes R$ 135 mil na “versão ostentação”, feita de ouro rosado 18 quilates.

Esse dispositivo é uma aposta da Apple em dois novos segmentos que a empresa inaugura em seu ecossistema: o de joias, oferecendo o Apple Watch de ouro a um público mais restrito, que tem preferência por relógios caros, e o nicho de tecnologia vestível, que fica presa ao corpo do usuário e monitora suas atividades durante o dia.

E um dos pontos mais fortes do produto é funcionar com um “personal trainer”, não só registrando a rotina de exercícios, mas também lembrando a pessoa sobre hábitos saudáveis. OG1 testou o relógio inteligente da empresa, e, mesmo com uma experiência positiva no geral, melhorias na parte de software tornariam o uso do smartwatch bem mais agradável.

Design
São três os modelos do dispositivo, feitos com materiais diferentes e voltados para públicos específicos. O mais barato é o Sport que, como o nome sugere, é voltado para práticas esportivas e feito de alumínio, sendo o mais leve de todos. A versão intermediária chama-se apenas Apple Watch, custa a partir de R$ 4.600 no Brasil e sua caixa é feita de aço inoxidável, deixando o aparelho com cara de “relógio chique”, podendo não ser tão confortável para uma corrida, já que é mais pesado.

Por fim, o Apple Watch Edition, feito em ouro 18 quilates, que pode ser tradicional ou rosado, e é uma espécie de “Rolex inteligente”. O diferencial nessa versão é que a caixa do produto tem um carregador embutido e um acabamento em veludo, comum para guardar joias.

Nas três edições do smartwatch, é possível escolher entre uma tela de 38 mm, para quem tem o pulso mais fino ou gosta de relógios menores, e um display de 42 mm. Na caixa do produto também vem uma pulseira adicional, em um tamanho diferente para deixar o relógio o mais ajustado possível. Falando em pulseiras, elas podem ser trocadas facilmente, e a Apple oferece modelos de cores diferentes ou de materiais como borracha, couro e aço – tudo por um preço. Por aqui, apenas a pulseira pode custar até R$ 3.629,00, o que pode fazer com que algumas pessoas prefiram comprar com outros fabricantes.

001 modeloswatch1Smartwatch vem em três modelos, com preços que vão de R$ 2.900 até R$ 13 mil (Foto: Divulgação/Apple)

Independentemente do modelo escolhido, as funcionalidades permanecem as mesmas. Há dois botões na parte na lateral do relógio: o primeiro se chama Coroa Digital, e lembra a peça nos relógios tracionais para ajustar as horas. No smartwatch, ele funciona como um “botão home”, e permite acessar a tela inicial com os aplicativos, assim como para sair deles.Você pode passar o dedo para fazer a rolagem de conteúdo na tela, dar zoom, ou apertar e segurar a coroa para acessar a Siri.

O outro botão lateral serve para acessar um menu rápido de contatos favoritos, chamado simplesmente de Amigos. Por meio dessa interface, é possível enviar mensagens e fazer ligações – o Apple Watch tem microfone e alto-falante, o que permite fazer e atender chamadas por ele, mas, felizmente, elas podem ser transferidas para o celular, para que você não fique parecendo um agente secreto falando com o relógio. Caso a outra pessoa tenha um Apple Watch, dá para mandar smiles animados, fazer desenhos e também compartilhar seus batimentos cardíacos, fazendo com que o relógio da outra pessoa vibre de acordo com seu ritmo cardíaco.

Sistema
A tela principal é recheada de “bolinhas”, representando os aplicativos. E, mesmo na versão maior do relógio, com tela de 42 mm, a navegação não é das mais fáceis. Então, tocar em um aplicativo em vez de outro acaba sendo algo comum.

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Aplicativos aparecem na tela inicial como ‘bolinhas’
(Foto: Reprodução)

Fora isso, o WatchOS, que está em sua segunda versão, não parece muito bem acabado. Nos testes, surgiram bugs como partes de um relógio que simplesmente sumiam e aplicativos que insistiam em não ser desinstalados.

O mais grave foi perder os dados de saúde de um mês inteiro, mesmo tendo um backup, ao emparelhar o smartwatch com um iPhone diferente – há até um documento de suporte da Apple que ensina como tentar reverter isso. Um dos pontos positivos do produto é exatamente o registro de atividade física durante o dia, e perder tudo isso só porque o aparelho foi trocado é bem frustrante.

Personal trainer
O maior destaque do relógio da Apple é como ele monitora seu dia a dia, fazendo isso com ajuda de um giroscópio e acelerômetro, registrando se você está andando, correndo ou apenas sentado. Há também um sensor cardíaco, que não só vai fazendo medições ao longo do dia, mas também ajuda nos cálculos de quantas calorias foram queimadas. Todas essas informações são compiladas em uma “roda de exercícios”, que mostra uma meta de calorias queimadas (na cor vermelha), além de uma meta fixa de 30 minutos de exercício (verde) e outra de 12 horas em pé por dia (azul). Essa última, especificamente, é para evitar que o usuário passe mais de 50 minutos de uma hora sem se levantar; caso isso aconteça, o Apple Watch vibra e pede para que você se movimente um pouco.

Há um aplicativo dedicado para exercícios, com atividades como andar e correr em ambientes fechados ou abertos, remar, andar de bicicleta, entre outros. É possível escolher o por quanto tempo será feita a atividade, a distância, quantas calorias serão queimadas, e o relógio vibra e avisa quando chega a metade do caminho ou quando o exercício alcançou a meta. Ao terminar, tudo é sincronizado com o iPhone.

No entanto, o Apple Watch é bastante dependente do iPhone, já que não consegue registrar dados de GPS, por exemplo, sem que o smartphone esteja junto. É possível calibrar o relógio para que ele faça estimativas mais precisas de distância sem a ajuda do celular, porém, de um modo geral, sair para correr com o Apple Watch e o iPhone juntos é um cenário mais comum do que se pensa, dependendo dos tipos de resultados e dados que precisam ser alcançados.

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Atividades físicas são compiladas numa ‘roda de
exercícios’, com metas diárias a serem batidas
(Foto: Reprodução)

Com a ajuda dos sensores do dispositivo, as informações costumam ser bem precisas, reproduzindo resultados obtidos em uma esteira de corrida ou em outros aparelhos que fazem medições cardíacas e de distância, conhecidos como “trackers”. No entanto, pessoas que tem tatuagens no pulsochegaram a reclamar que o sensor cardíaco não estava funcionando corretamente, por “interferências” causadas por pigmentos coloridos na pele.

Vale lembrar que o relógio inteligente da Apple é resistente à água, e não à prova d’água. A empresa diz que ele não tem problemas com suor ou chuva, mas pode não sobreviver a uma maratona de mergulhos na piscina.

A parte chata de se exercitar ao livre com o smartwatch é que fica muito difícil de ler informações na tela do aparelho sob a luz do Sol, a mesma coisa que acontece com o iPhone, por exemplo. Quem estiver correndo com sol forte terá que ou cobrir o display para visualizar a distância já percorrida ou esperar até que a luz não bata diretamente na tela.

Bateria
A vida útil do Apple Watch surpreendeu durante os testes. A fabricante promete 18 horas de uso, mas o relógio conseguiu sobreviver mais de um dia e meio de uso normal, com todos os sensores ligados e com brilho médio (configuração padrão do aparelho). Ou seja, é possível chegar ao fim do dia sem problemas e colocar o produto para carregar durante a noite.

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Modo ‘reserva de energia’ promete só mostrar
as horas do Apple Watch por até 72 horas,
segundo a fabricante (Foto: Reprodução)

Além disso, caso a bateria esteja no fim, existe uma funcionalidade chamada “reserva de energia”, que desliga todos os senhores e funcionalidades do Apple Watch, e exibe apenas a hora, como em um relógio digital comum. Esse modo é bom para quem quer pelo menos ver as horas no pulso até chegar em um carregador.

Falando em carregador, o Apple Watch recarrega a bateria com ajuda de um carregador circular, que gruda na parte de trás do relógio e passa a energia por meio de indução eletromagnética – basta deixar o dispositivo em cima do conector para que ele carregue a bateria. O maior problema nesse caso, novamente, é o preço: apenas o cabo magnético para carregar o Apple Watch custa R$ 219 por aqui – é bom deixar em um lugar seguro, já que perder seria um desastre financeiro.

Bom para se movimentar
Mesmo com essa vibe de tecnologia vestível, o Apple Watch não chega a ser indispensável. Ele, na verdade, apenas complementa a experiência de quem já tem um iPhone, ao jogar notificações no pulso, vibrar ao enviar alertas e evitar que o celular fique saindo do bolso o tempo todo. Ele não é o centro de suas ações e dados, mesmo que seja possível realizar comandos no relógio que, antes, só eram feitos pelo celular.

No entanto, a coisa muda de figura na parte de fazer atividades físicas com ele. Ele é um ótimo companheiro de exercício, e fornece informações precisas sobre a sua saúde, servindo muitas vezes como um bom incentivo para sempre se movimentar. No caso de pessoas que praticam atividades físicas regularmente ou mesmo no caso de profissionais, ele é uma “evolução” do celular, o que, no final, torna mais atraente (e mais econômica) a escolha do modelo Sport do aparelho na hora de comprar.

A maioria dos problemas está concentrada na experiência com o software, que precisa ser mais lapidado, tanto na parte de navegação quanto na eliminação de bugs, problemas e eventuais “engasgos” ao realizar diversas ações. Entretanto, como é a primeira aposta da Apple no setor, é compreensível que acertar de primeira seria difícil. O que resta é esperar por boas novidades nas atualizações quem vêm por aí.

Além de ser mais barato, modelo Sport do Apple Watch reúne as melhores vantagem do relógio inteligente (Foto: G1)
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