Negociação é a estratégia de Personais para a crise

Empresários e comerciantes de serviços não essenciais apostam em liquidações para driblar crise

Além de descontos e formas mais amigáveis de pagamento, personal trainers, professores particulares e até psicólogos chegam a fazer pacotes com preços baixos para empresas.

 

Academia Crédito: Flickr / André Schirm

Desde que a crise começou, as famílias brasileiras foram obrigadas a se virar para fazer o orçamento mensal dar conta de todos os gastos. Com os preços em alta, itens considerados supérfluos, como academia, festas, aula particular e até consultas com psicólogo se tornaram artigos de luxo e foram deixados de lado. Segundo o Instituto Data Popular, nove entre dez brasileiros diminuíram o consumo e agora estão escolhendo apenas o que é prioritário. Essa mudança de comportamento atingiu em cheio os profissionais que trabalham nessas áreas. Para não perder clientes, eles abusam da criatividade. Além da queda de preços e novas formas de pagamento, até pacotes para empresas viraram opção. Descontos para grupos que trabalham junto foram, por exemplo, uma das medidas adotadas pela personal trainer Beatriz Rodrigues.

Percebendo a queda de 20% nas vendas, o empresário e sócio de uma casa de festas na Barra da Tijuca Elton Santos criou novas formas de pagamento para seus clientes.

Quem também sentiu diferenças na clientela foi a professora particular de português e redação Fernanda Freitas. Ela precisou diminuir o valor da hora-aula em mais de 30%.

Em tempo de inflação, dívidas e desemprego, sobra até mesmo para a saúde mental. A  psicoterapeuta Marta Spomberg conta que congelou os preços de suas consultas para manter a clientela.

Tantas promoções podem atrair clientes, mas é preciso cuidado com os efeitos negativos. O analista do Sebrae Bernardo Monzo conta que, preocupados com seus negócios, muitos empreendedores pegam empréstimos para sanar a diferença nos lucros ocasionada pelos descontos. Para ele, crédito em época de crise não é nada bom. O melhor caminho é negociar com os bancos melhores condições para os pagamentos de clientes feitos com cartões e cheques.

E não é só de gastos e cortes que os momentos de crise são feitos. Segundo o economista e professor da Fundação Getúlio Vargas Roberto Kanter, há um lado positivo nisso tudo: essa pode ser a hora de testar novos mercados e públicos.

Mas pelo que mostram os números, os serviços ainda vão precisar de muito esforço e criatividade para voltar a se aquecer. De acordo com dados do Produto Interno Bruto divulgados na última semana pelo IBGE, em 2015, o setor sofreu um recuo de 2,7%. Trata-se da maior queda desde 1996.

Créditos: CBN | Globo | Frederico Goulart

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